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ONS reduz previsão de água em hidrelétricas ao final de outubro

 

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reduziu a previsão de armazenamento de água nos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste ao final de outubro. De acordo com relatório divulgado nesta sexta-feira (24), as represas devem fechar o dia 31, próxima sexta, com nível médio em 18,4%. Na semana passada, a estimativa era de 19%.

As hidrelétricas localizadas nas duas regiões respondem por cerca de 70% da capacidade do país de gerar eletricidade. Por isso, o governo vem acompanhando com atenção a redução no armazenamento de água nesses reservatórios, afetados pela queda no volume de chuvas nos dois últimos verões. Na região Nordeste, onde está o segundo maior parque gerador do país, as represas devem chegar ao final de outubro com nível de água em 15,2%, segundo o mesmo relatório.

Na terça (21),a situação nos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste já é pior que na mesma época de 2001, quando o país passava por racionamento de energia. De acordo com o ONS, na quinta (23), dado mais recente, o armazenamento médio de água nas hidrelétricas das duas regiões estava em 20,32%. No dia 23 de outubro de 2001 era um pouco superior: 21,54%.

 

Entretanto, as duas regiões, somadas, têm hoje capacidade de armazenamento de água e, portanto, de gerar energia, superior à de 13 anos atrás: 205 mil MW por mês, ante 160,8 mil MW.

Outubro mais seco
O relatório também informa que este outubro será mais seco que o normal, o que prejudica a recuperação dos reservatórios. De acordo com o operador, a quantidade de água de chuva esperada para chegar às hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste até o final do mês representa 60% da média histórica.

Em novembro, começa oficialmente o chamado período úmido, que segue até o final de março. Neste período, em condições normais de chuva, os reservatórios se enchem. O governo vem negando risco de faltar energia no país neste ano e em 2015.

Hoje o país possui um parque de termelétricas bem maior que em 2001. Essas usinas geram energia por meio da queima de combustíveis como óleo, gás natural e biomassa, substituindo boa parte da produção das hidrelétricas e contribuindo para poupar água dos reservatórios. Por isso, o país não passa por novo racionamento.

Nos últimos meses, o Brasil tem mantido funcionando todas as térmicas disponíveis, num esforço para economizar água das hidrelétricas. Entretanto, isso vem contribuindo para os altos reajustes nas contas de luz em 2014, já que a energia produzida por esse tipo de usina é mais cara.

Empréstimo
A situação dos reservatórios também contribuiu para a disparada no preço da energia no mercado à vista, que atingiu o recorde de R$ 822,83 por MWh (megawatt-hora). E o setor elétrico, que já sofria com o aumento de custos provocado pelo uso mais intenso das térmicas, entrou em crise.

O governo teve que agir e, em março, anunciou que faria empréstimos bancários para financiar os gastos extras do setor em 2014. Foram tomados dois empréstimo, no valor total de R$ 17,8 bilhões. Assim, o governo socorreu as distribuidoras, que alegam não ter recursos para fazer frente aos gastos extras, e evitou que reajustes ainda mais altos fossem aplicados às contas de luz neste ano.

Porém, o plano prevê que esses empréstimos serão repassados às contas de luz de todos os brasileiros entre 2015 e 2017. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), somados os juros, os consumidores terão que pagar R$ 26,6 bilhões.


 

Fonte:

Postada em: 25/10/2014

 

 

 

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